30 de julho 2010
 
 

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Bobô: sertanejo ídolo do futebol
Entrevista: o ex-craque conta sua história, do início na Catuense, aos 17 anos, à superintendêndia da Sudesb. Fala também sobre temas polêmicos de dentro e fora dos gramados.

Por Esquivel, Larissa e Danielí

Bobô foi campeão brasileiro pelo Bahia de 88

“Quem não amou a elegância sutil de Bobô?”

O cantor e compositor baiano Caetano Veloso, responsável por esta homenagem em um verso de Reconvexo, foi um dos que viveram esse sentimento, comum a toda uma geração de amantes de futebol, ao assistir Raimundo Nonato Tavares da Silva, o Bobô, desfilar sua técnica pelos gramados do Brasil, em especial da Fonte Nova.

 

Jogador de futebol diferenciado desde garoto, aos 17 anos Bobô chamou a atenção do então dono da Associação Esportiva Catuense, Antônio Pena, que convenceu os pais do garoto a perderem um engenheiro e ganharem um dos melhores esportistas baianos de que se tem notícia, o maior de sua terra natal, Senhor do Bonfim, no sertão da Bahia.

O ano de 1981 viu o começo da grande brincadeira de Raimundo Nonato, que confessa jamais ter pensado em conquistar tudo o que ganhou graças ao futebol.

 

Descoberto nos campos de barro da cidade natal, o garoto raquítico, também apelidado de “Tinquin” – bicho franzino que habita o sertão –, não demorou muito para despontar como principal referência da Catuense em campo.

Nem mesmo a primeira de duas lesões nos ligamentos cruzados do joelho esquerdo o impediu de se destacar como grande promessa do futebol baiano. Tanto que não demorou muito – apenas cinco anos – para se transferir ao Esporte Clube Bahia. Segundo ele, foi em 1986, primeiro ano de clube, sua melhor temporada.

 

Outra contusão nos ligamentos do joelho esquerdo o tiraria, em

Tinquin: franzino, mas bom de bola

1987, dos gramados por nove meses. Mal sabia ele que o ano seguinte seria o de sua consagração.

Bobô levou o Bahia à conquista do seu maior título na história: o Campeonato Brasileiro de 1988, em uma decisão contra o Internacional-RS.

E não é que Tinquin foi o primeiro jogador baiano a ser convocado para a seleção brasileira de futebol diretamente de um clube do estado? Mas não seria essa sua estréia pela “amarelinha”. Outra lesão o impediu.

 

Em 1989 o inevitável finalmente aconteceu: Bobô estreou no selecionado canarinho e passou a desfilar sua elegância sutil nos gramados do Morumbi.

A transferência para o São Paulo Futebol Clube envolveu cifras até então inimagináveis em transações entre clubes brasileiros. 1,3 milhão de dólares foi o valor pago pelo maior jogador em atividade naquele momento.

 

Bobô ainda jogou e foi ídolo no Flamengo, Fluminense, Corinthians e Internacional-RS antes de retornar à “Catuca”, como era chamada a Catuense.

Mais tarde, ele voltaria ao Bahia e, sendo um dos poucos motivos de alegria da fanática torcida do clube, seguiu encantando nos gramados do Brasil, em especial da Fonte Nova, palco de seus grandes momentos como jogador, até o ano de 1997, quando encerrou sua trajetória em um jogo festivo Bahia x Palmeiras.

 

Dentre tantas alegrias e conquistas fica, talvez, uma frustração: a de não ter disputado a Copa do Mundo da Itália, em 1990. O então treinador da seleção brasileira, Sebastião Lazaroni, preferiu não levá-lo no grupo que disputou o torneio.

Talvez tenha sido melhor assim, pois Bobô não ficaria marcado por um dos maiores fracassos da história do futebol nacional.

 

Ao longo da conversa com Bobô, hoje superintendente da Sudesb (Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia), conta um pouco dessa frustração e fala ainda sobre outros momentos marcantes de sua carreira, sobre o acidente ocorrido em novembro de 2007 na Fonte Nova e sua possível demolição, sobre a maior glória do Esporte Clube Bahia e seu momento atual.

 Leia o ping-pong com Bobô

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>> De 1988 ao século 21: o que mudou, segundo Bobô

>> Bobô fala sobre o acidente na Fonte Nova

>> Convocação e canção de Caetano: emoções de Bobô

 


Ficha Técnica

Conteúdo produzido por estudantes do 3º semestre, em 2008.1, para a disciplina Redação III sob orientação do(a) professor (a) Lilian Reichert

Entrevistadores: Alex Esquivel, Larissa Barbosa e Danielí Nunes.